Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Gato de Schrödinger

Aplicando-se o formalismo quântico, o gato estaria por sua vez combinando 50% de "gato vivo" e 50% de "gato morto", correspondendo a dois estados indistinguíveis!

O Gato de Schrödinger

Aplicando-se o formalismo quântico, o gato estaria por sua vez combinando 50% de "gato vivo" e 50% de "gato morto", correspondendo a dois estados indistinguíveis!

Sonda New Horizons sobrevoa Pluto

Os últimos tempos têm sido emocionantes em termos astronómicos, com a sonda Rosetta e o Philae a investigarem um cometa, sendo a primeira vez que um robô efectua tal proeza, hoje foi a vez de a sonda New Horizons efectuar um voo "razante" sobre Pluto, o último planeta do Sistema Solar, revelando imagens absolutamente impressionantes.

 

 

 

Foto publicada por NASA (@nasa) a

 

 

 

Pluto já foi classificado como planeta de pleno direito, tendo sido "desclassificado" a planeta anão em 2006, apesar de muitas críticas por parte da comunidade científica, e até hoje nem o seu tamanho exacto ser conhecido. Hoje, o "ex-planeta" mais conhecido do Sistema Solar volta a estar nas bocas e mentes da comunidade cientifica, com a aproximação da sonda espacial da NASA New Horizons.

 

Ilustração da sonda sobre Pluto, Imagem NASA (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute)

 

A New Horizons é uma sonda espacial construída pela NASA, lançada a 14 de Julho de 2015, para estudar o planeta-anão Plutão e o Cinturão de Kuiper. Pesa 478 kg e custou cerca de 635 milhões de euros. Dotada de instrumentação ciêntífica avançada, como o Long Range Reconnaisance Imager (LORRI) - Câmera de longa distância focal projectada para responsividade e resolução elevadas em comprimentos de onda visíveis, o telescópio Ralph, com 6 cm de abertura, a Alice - Um espectrómetro de ultravioleta para analisar a atmosfera de Plutão,o  Pluto Energetic Particle Spectrometer Science Investigation (PEPSSI) - um espectrómetro de iões e electrões para procurar átomos neutros que escapam da atmosfera de Plutão e são electricamente carregados pelo vento solar, Solar Wind At Pluto (SWAP) - um detector electrostático toroidal e Analisador de potencial retardado, um Radio Science Experiment (REX) -  circuito integrado que contém um sofisticado sistema de processamento de sinais de rádio, assim como um medidor de poeira inter-estrelar, o Venetia Burney Student Dust Counter (VBSDC).

 

Apesar de a sonda ter atingido o ponto mais próximo de Pluto às 12:49 de hoje, apenas pelas 21h20 os dados chegarão à terra, pois a informação demora cerca de 5 horas a chegar até nós, razão pela qual a NASA somente deve dar novas informações durante a madrugada, pelas 2 da manhã de quarta feira.

 

Até lá, é possível ir contemplando as imagens da galeria disponibilizada pela NASA, e torcer para que a sonda não colida com nenhum objecto em órbita de Pluto.

Vampiros: estudo ciêntífico sobre o efeito que o alho tem como repelente

Nunca como nos útlimos tempos os vampiros tiveram tanto sucesso. Vão a programas de tv, têm séries dedicadas a eles, já andam sem receio na rua e em plena luz do dia, e chegam até a frequentar cafés de gente normal (sério, eu posso confirmar). E segundo a crença popular, o alho é um dos repelentes de maior efeito, mas será mesmo, ou será apenas ficção?

 

 

Fonte da imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vampyr_ill_artlibre_jnl.png

 

 

 

 Hà dois anos, a descoberta de um esqueleto de um vampiro, com um tijolo na boca para evitar novos "derrames de sangue" devidamente aconchegado no seu túmulo revelou que a sua "existência" é bem anterior ao que se pensava, pois segundo os cientistas, a sepultura é anterior ao Drácula em cerca de 500 anos.

 

Já em 2012, o temor por esta espêcie fez tremer os habitantes da aldeia de Zarozje, na sérvia, quando um velho moinho abandonado ruiu, moinho esse onde, segundo a crença popular, Sava Savanovic o vampiro da zona, habitava pacatamente após séculos a espalhar terror. Prontamente as autoridades locais aconselharam os habitantes a andar com alho nos bolsos, e espaolhar cruzes pelas habitações, mas será que estes tradicionais métodos resultam mesmo? Foi precisamente isso que uma equipa de ciêntistas resolveu testar, usando métodos ciêntificamente válidos, e publicaram numa prestigiada revista ciêntífica.

 

Na ausência de um vampiro real que se presta-se ao estudo, resolveram usar um método cientificamente equivalente, tal como as experiências em ratinhos ou macacos, que depois são extrapoladas para os humanos, mas no caso dos vampiros, usando outro animal devorador de sangue huano: sanguessugas.

 

Assim, pegaram em sanguessugas e alho, e colocaram em análise dois cenários. No primeiro cenário, untaram uma das mãos com alho, e deram às sanguessugas a escolha, entre a forrada a alho, e a sem alho, e, para surpresa geral, em dois terços preferiram a mão com alho (com um intervalo de confiança de 95%, entre 50.4% e 80.4%). Nos casos onde as mãos com alho foram as preferidas, demoraram em média 14.9 segundos a atarracharem-se para se lambuzarem, enquanto que na mão sem alho, a média foi de 44.9 segundos.

 

Portanto, se andam com uns dentes de alho nos bolsos a pensar que afastam os vampiros, a ciência vem dizer que os resultados obtidos podem bem ser um encontro inesperado.

 

Fonte: Does garlic protect against vampires? An experimental study , encontrado graças ao excelente artigo em http://blogs.discovermagazine.com/seriouslyscience/2014/11/21/flashback-friday-garlic-protect-vampires-experimental-study/#.VHEBmYVKax4

 

Asteróide passa entre a Terra e a Lua esta noite

O asteróide 2014 DX110, com cerca de 30 metros de diâmetro irá passar esta noite junto à terra, pelas 21 h.

Image Credit: NASA/JPL-Caltech

O comunicado da NASA é claro: um asteróide com 30 metros de diâmetro irá passar a cerca de 350.000 km da terra, mais próximo do que a própria lua, não havendo perigo de colisão com a terra. Se é certo que trás à memória o meteorito que espalhou o caos na Rússia o ano passado, não há margem de perígo aceitável nos cálculos que causem motivos de alarme.

 

Pelas 22.22, o 2014 DX110 irá então passar junto à lua, não estando previsto igualmente grandes possibilidades de colisão.

Existirá um planeta onde chovem diamantes?

Imagine um planeta onde pode assistir literalmente a uma chuva de diamantes. Já imaginou? De acordo com estudos recentes, isso pode ser possível em planetas como Júpiter e Neptuno, aqui bem perto do planeta Terra, e para os amantes desses compostos de Carbono, haverá planetas onde em vez de escavar e sair terra, poderá encontrar gigantes diamantes.

Por Hustvedt (Obra do próprio) [CC-BY-SA-3.0 undefined GFDL], undefined

 

 Num artigo publicado para o 45º Encontro da Associação Astronómica Americana, por Delitsky, M. L. & Baines, K. H., os autores concluem que é possível que em alguns planetas como Júpiter e Saturno a precipitação não se cinja somente a compostos tóxicos, mas igualmente a autênticos granizos de diamantes. Os diamantes teriam na sua maioria menos de 1 cm, podendo chegar aos 10.

 

     Para chegar a essa conclusão, os cientistas criaram um modelo matemático da atmosfera para tentar perceber se seria possível e frequente a formação de diamantes. Na atmosfera superior desses planetas o metano, ao ser atingido por relâmpagos, libertam moléculas de carbono, que vão chocando uns nos outros formando uma pequena fuligem de carbono.

 

    Posteriormente, à medida que vão ficando cada vez maiores e mais pesadas, descem na atmosfera, através de camadas cada vez mais densas de hidrogénio liquido e gasoso, até aos núcleos rochosos, enfrentando cada vez mais altas pressões e temperaturas. A foligem dá então origem a grafite, e posteriormente a diamantes, até que, ao atravessar temperaturas de cerca de 8000 ° C, o diamante derrete formando gotas de diamante líquidos.

 

    Apesar de tudo, nem todos ficaram entusiasmados. Algumas vozes discordam, afirmando que o modelo apresenta falhas, entre as quais ao nível de termodinâmica. Fritz Haber, do Instituto físico Luca Ghiringhelli é uma dessas vozes: "É muito optimista para conduzir conclusões sobre a existência de diamantes em Saturno a partir dos dados escassos que temos, e sem um modelo convincente".

 

    Ainda nos diamantes, foi recentemente descoberto um novo e estranho planeta. Uma equipa da Yale University publicou um artigo anunciando a descoberta do planeta 55 Cancri e, com o dobro do tamanho da Terra, mas com oito vezes a sua massa, classificando-o como uma "super Terra".

 

 

Rob Lavinsky, iRocks.com – CC-BY-SA-3.0 [CC-BY-SA-3.0], undefined


    Foi detectado pela primeira vez em 2011, ao cruzar a sua estrela, tal como a terra circula e m volta do Sol. Com uma temperatura de 2.150 graus Celsius e carbono em abundância, é altamente espectável que à sua superfície, em vez de encontrar rochas banais, enormes diamantes e grafite, o mineral que encontra nos vulgares lápis.

    Fora do sistema solar, provavelmente a abundância em diamantes será bem maior, pelo menos em algumas zonas. O nosso sistema solar é composto essencialmente por oxigénio e silicatos, portanto a sua abundância não é tão predominante, mas em sistemas planetários com abundância em carbono, encontrar um diamante pode ser algo trivial como respirar.

Amostras de grafite e diamante com as respectivas estruturas. A formação inferior direita é conhecida como "grafeno", caracterizado por folhas infinitas de átomos individuais de carbono.

Por User:Itub (Self-made derivative work (see below)) [GFDL undefined CC-BY-SA-3.0], undefined



    Isto porque os diamantes são formados por carbono extremamente organizado em estruturas cúbicas cristalinas, o que lhes confere o maior grau conhecido de dureza conhecido na natureza. São formados em ambientes ricos em carbono, com altas temperaturas e pressão. A grafite que se usa nos lápis, por exemplo, é igualmente formada por carbono, contudo sem um grau de cristalização tão elevado. Com temperaturas e pressões altas, o rearranjo da sua estrutura molecular originaria novos e belos diamantes.

Lua "cresce" e apresentará tons alaranjados nos próximos dias

À medida que se aproxima a próxima lua cheia, em conjunção com o equinócio de Outono, a lua vai aprimorar para o seu espetáculo habitual, e tomar colorações alaranjadas, além de um tamanho aparentemente superior ao habitual, devido a uma ilusão de óptica. Juntando a isso as previsões de calor, e teremos uns belos por-do-sol pela frente, até meados do dia 20.

Por Roadcrusher at en.wikipedia [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html) undefined CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/)], da Wikimedia Commons

Por Roadcrusher at en.wikipedia [GFDL undefined CC-BY-SA-3.0], da Wikimedia Commons

 

 

Normalmente, a cada noite a Lua nasce 50 minutos mais tarde, contudo no equinócio de Outono, a Lua aparece apenas 30 minutos depoisdando a ilusão de que há uma lua cheia brilhante a subir durante o pôr do sol durante várias noites seguidas.

 

Isto deve-se ao facto de durante o equinócio de outono, que será dia 22 de setembro deste ano, a intersecção entre o plano da eclíptica da órbita da lua e horizonte oriental da Terra faz um ângulo de 180º, fazendo com que a Lua não se distancie tanto de noite para noite relativamente ao horizonte, e surja na mesma altura, numa questão de trigonometria básica. Com as núvens e as poeiras da atmosféra, é previsível que tome uma coloração alaranjada.

 

Na Europa e na América do Norte, é conhecida popularmente por lua das colheiras, pois a luz reflectida pelo sol ajudava os agricultores a terem mais tempo de visibilidade para a azáfama das colheitas que por esta altura têm lugar.

 

Para os mais curiosos, a NASA tem um video explicativo em http://www.youtube.com/watch?v=-5GauJNCRJ4.

 

 

Enigma sobre a dinámica do núcleo terrestre pode ter sido desvendado

Há mais de 300 anos que os cientistas tentam perceber a direcção e o comportamento do núcleo terrestre, e uma equiva de investigadores da Universidade de Leeds parece ter resolvido o enigma.

 

Earth poster

 Imagem: Estrutura do Planeta Terra / Fonte: Wikimedia Commons, Por Kelvinsong (Obra do próprio) [CC-BY-SA-3.0]

 

Usando dados sísmicos, os cientistas comprovaram que o núcleo interno da terra, composto por ferro maciço gira em direcção Este, a uma velocidade mais rápida do que o planeta, enquanto o núcleo externo gira a uma velocidade mais lenta.
 Como o campo magnético Terrestre é alimentado por estes fluxos, isto implica que a força electromagnética responsável por empurrar os núcleos para o seu interior varia com o tempo, o que, por sua vez, pode explicar as flutuações predominantemente a este do núcleo interno, um fenómeno verificado nos útlimos anos.

 

O estudo descreve um modelo de computador que sugere que o campo geomagnético em si pode proporcionar uma ligação entre ambos: o binário do campo electromagnético associado encontra-se actualmente mais extenso a oeste no núcleo externo, enquanto que se verifica um binário igual e opostao aplicada ao núcleo interno.

Cientista portuguesa descobre que há condições para existir vida nas luas de Júpiter e Saturno

A astrobióloga portuguesa Zita Martins, investigadora do Imperial College of London, juntamente com o seu colega Dr. Mark Price, da Universidade de Kent, e uma equipa do Lawrence Livermore National Laboratory acabam de ver publicado um artigo na Nature Geoscience, onde concluem haver condições para a existência de vida nas luas de Júpiter e Saturno, devido às colisões de cometas.

 

Imagem: Zita Martins / Fonte: lisbon-challenge

 

Segundo o estudo, o impacto dos meteoritos propencia a formação de um dos componentes essenciais à existência da vida, os aminoácidos, tendo como base o metano e àgua, que com a energia do impacto dos cometas, conseguem dar origem a aminoácidos. Um dos exemplos para comprovar é a presença de Glicina, um aminoácido extremamente simples, no cometa 81P/Wild-2, facto descoberto recentemente pela NASA.

 

Imagem: Cometa P1 McNaught / Wikimedia Commons

 

Os investigadores utilizaram gás comprimido para a propulsão de projécteis com composições semelhantes ás dos cometas e meteoritos que bombardearam a terra entre 4,5 e 3,8 mil milhões de anos atrás, e que se encontrava coberta de gelo, e que, segundo crêm os ciêntistas, esses choques deram orígem a aminoácidos como glicina e alanina, e posteriormente aos primeiros seres vivos.


A abundância de gelo na superfície das luas de Saturno e Júpiter, Enceladus e Europa, poderiam proporcionar um ambiente ideal para a produção de aminoácidos através do impacto de meteoritos, concluem os pesquisadores, realçando ainda a importância de futuras investigações e missõies espaciais na procura de sinais de vida.


Mais informação: Artigo na Nature Geociences; Imperial College Newsletter

Cientistas confirmam: Voyager 1 abandonou o Sistema Solar

A Sonda Voyager 1, lançada a 5 de setembro de 1977 encontra-se já fora do Sistema Solar, sendo o primeiro objecto de fabrico humano a realizar tal proeza, de acordo com a NASA.

 

Imagem: Wikimedia Commons / (NASA website) [Public domain]
A Voyager 1 é uma sonda de 722 Kg lançada pela NASA a 5 de Setembro de 1997, para estudar o Sistema Solar exterior, tendo enviado durante os seus mais de 36 anos de operação milhares de dados, esperando-se que seja possível receber dados até por volta do ano 2025. Atravessou o Sistema Solar enviando para a Terra dados valiosissimos para a compreensão do universo, assim como belas imagens, como as de Jupiter e as suas luas em 1979:
Imagem: Io, lua de Júpiter com os seus vulcões activos / Fonte: NASA

http://voyager.jpl.nasa.gov/gallery/images/saturn/4bg.jpg
Imagem: Hemisfério Norte de Saturno / Fonte: NASA

O último ano foi de grande espectativa para os analistas da NASA, que pelos dados recebidos da sonda suspeitavam que o feito tive-se acontecido, faltando comprovar isso mesmo, tendo sido portanto um ano extremamente agitado e com enormes debates.

 

Como se não bastasse o feito histórico, a Voyager tinha mais surpresas, e acabou por dar aos cientistas evidências de que o campo magnético da galáxia está aparentemente alinhado  na mesma direcção do sol, ao contrário do que se pensava.

 

Mas se ao longo da sua viagem pelo espaço foi já capaz de surpreender os humanos, caso encontre seres-extraterrestes, será capaz de os surpreender igualmente, pois leva  consigo coisas intemporais como a Quinta Sinfonia de Beethoven ou de Johnny B. Goode, de Chuck Berry, sons de trovões, vulcões e terramotos, de hienas e elefantes, do vento e da chuva numa compilação chamada Golden record.

 

Apesar de tudo, convém não esquecer que se trata de equipamento com quase 40 anos, e que a tecnologia avançou e de que maneira aqui no 3º planeta a contar do sol. Na verdade, por mais estranho que pareça, trata-se de material e tecnologia tão obsoleta que torna-se já dificil encontrar técnicos qualificados para tratar os dados.

 

Mais info: Comunicado da NASA; Página da NASA dedicado ao projecto voyager

Campo magnético do sol prestes a inverter-se

Faltam dois ou três meses para ocorrer a completa inversão de polaridade do sol, um fenómeno ciclico, que ocorre a cada 11 anos, sem grandes impactos significativos na terra, por isso não são esperados gatos voadores ou outros fenómenos anormais, pelo menos não devido ao fenómeno solar.

Imagem: Wikimédia Commons / Por Penyulap [CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]

 Tal como o planeta terra, também o sol possui um campo magnético, resultado dos fluxos internos de plasma e gáses, circulando de um polo para o outro, e, a cada 11 anos, a força deste campo magético é redizida a zero até que se inverte, como parte do ciclo solar. Em termos terrestres, isto seria como se as bússulas indicassem o Norte correctamente durante 11 anos, e nos 11 anos seguintes, tomassem o Polo Sul como Polo Norte, dada a inversão.

 

Apesar de não serem esperados gatos voadores ou outros fenómenos paranormais, isto não significa que o fenómeno não tenha repercursões fora das próximidades do Sol. Afinal, Galileu não perdeu a cabeça por nada ao afirmar que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário, e é de conhecimento geral de que o Sol é o centro de um enorme e complexo Sistema Solar. E isto deve-se precisamente ao seu campo magnético.

 

Este campo magnético influencia uma vasta região espacial, muito além de Plutão, região conhecida como Heliosfera.

 

A Heliosfera é uma superfície electricamente carregada, que parte do equador solar e espalha-se pelos confins do sistema solar, além de Plutão.

Corrente Heliosférica. Imagem: Wikimédia Commons / Por Werner Heil

 

A inversão causará a "folha" tornar-se mais ondulada, fazendo com que a terra a atravesse mais vezes, o que originará potencialmente mais temprestades espaciais em redor do planeta azul, que por sua vez provocam perturbações nos satélites e sistemas de comunicação, mas nem tudo são más notícias. Quando não está a provocar perturbação nos satélites, serve de protecção contra  raios cósmicos vindos do espaço exterior, raios normalmente prejudiciais a astronautas e satélites no espaço. Além disso, estes raios cósmicos ionizam a atmosfera superior da Terra, afectando a formação de nuvens, tempestades e trovoadas, fazendo com que as tempestades terrestres sejam potencialmente menos intensas. Boas notícias, portanto.

 

Saber mais: NASA Science News - The Sun's Magnetic Field is about to Flip

Acidificação dos oceanos poderá amplificar o aquecimento global

Independentemente das controvérsias que se vão gerando nos últimos tempos, cada vez mais estudos se debruçam sobre as várias vertendes do aquecimento global. Um novo estudo, apresenta conclusões que apontam para um potencial agravamento do aquecimento global, como consequência da acidificação oceânica.


Por Daniel Vaulot, CNRS, Station Biologique de Roscoff (Own work, BIOSOPE cruise) [CC-BY-SA-2.5 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)], undefined

(Fitoplancton fotossintético do Oceano Pacífico. Foto: Wikimedia Commons. Por Daniel Vaulot, CNRS, Station Biologique de Roscoff (Own work, BIOSOPE cruise) [CC-BY-SA-2.5 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)] )



Um estudo liderado por Katharina Six, do Instituto Max Planck de Meteorologia e publicado na revista Nature Climate Change trás conclusões que indiciam um aumento do aquecimento global potencialmente mais elevado do que o esperado. Tal facto deve-se, de acordo com o estudo, a uma alteração de comportamento de pequenos organismos presentes nos oceanos, o fitoplancton, que adaptando-se às novas condições ambientais, poderá agravar ainda mais o aumento das temperaturas.


Com o aumento de CO2 na atmosfera, parte desse gás irá ser dissolvido pelos oceanos, fazendo com que o PH diminua num processo denominado como acidificação oceánica. Este processo trás problemas ecológicos importantes, pois ao alterar o PH irá alterar as condições ambientais das espécies que ai vivem e dos ecossistemas que delas dependem. Na base de todos os problemas, está o plancton, minúsculos organismos que estão na base da cadeia alimentar aquática, e que já se previa uma diminuição da sua quantidade por conta da acidificação, fazendo diminuir a quantidade de peixes de toda a cadeia alimentar, por falta de alimento.


O estudo debruça-se não sobre os efeitos da sua diminuição, mas na capacidade de adaptação a um novo ambiente mais ácido. E neste capítulo, descobriram que quanto menor o ph das águas, ou seja, mais ácido, menor será a quantidade de um gás chamado dimetil sulfeto, ou DMS. Este gás, presente na atmosfera e cuja origem vem maioritáriamente do metabolismo de algumas algas, tem um importante factor, porque na atmosfera oxida-se e dá origem a ácido sulfúrico, que por sua vez tem tendência a formar minúsculas partículas de nome técnico aerossol, que, nas núvens, desempenham um papel importante a refeltir a luz do sol, fazendo com que a atmosfera terrestre não aqueça tanto. Apesar de o ácido sulfúrico ser conhecido como um poluente atmosférico, causador entre outros, das chamadas chuvas ácidas, em pequenas quantidades tem extrema importância, quantidades essas que a natureza tende a emitir, de forma sustentável e equilibrada.


Esta redução de emissões de DMS pode então, de acordo com o estudo, significar um aumento do factor entre energia recebida pela terra e a refletida para o espaço em cerca de 83% (0.4 W/m2). Adicionando estes valores aos modelos atmosféricos com duplicação de CO2, os cientistas apontam para acréscimo de temperatura entre 0.23 and 0.48 ºC aos resultados desses mesmos modelos, ou seja, esta diminuição, por sí só teria um impacto entre + 0.23 e +.48 ºC na subida de temperaturas.


Trata-se de mais um avanço na compreensão do fenómeno do aquecimento global, apesar de ser um estudo numa àrea ainda não muito aprofundada, os estudos que se seguirão irão certamente dar mais certezas, ou dúvidas, sobre a dinámica entre aquecimento global, oceanos e ecossistemas marinhos.



Estudo original e mais informações em http://www.nature.com/news/rising-ocean-acidity-will-exacerbate-global-warming-1.13602#/ref-link-4