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O Gato de Schrödinger

Aplicando-se o formalismo quântico, o gato estaria por sua vez combinando 50% de "gato vivo" e 50% de "gato morto", correspondendo a dois estados indistinguíveis!

O Gato de Schrödinger

Aplicando-se o formalismo quântico, o gato estaria por sua vez combinando 50% de "gato vivo" e 50% de "gato morto", correspondendo a dois estados indistinguíveis!

Acidificação dos oceanos poderá amplificar o aquecimento global

Independentemente das controvérsias que se vão gerando nos últimos tempos, cada vez mais estudos se debruçam sobre as várias vertendes do aquecimento global. Um novo estudo, apresenta conclusões que apontam para um potencial agravamento do aquecimento global, como consequência da acidificação oceânica.


Por Daniel Vaulot, CNRS, Station Biologique de Roscoff (Own work, BIOSOPE cruise) [CC-BY-SA-2.5 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)], undefined

(Fitoplancton fotossintético do Oceano Pacífico. Foto: Wikimedia Commons. Por Daniel Vaulot, CNRS, Station Biologique de Roscoff (Own work, BIOSOPE cruise) [CC-BY-SA-2.5 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)] )



Um estudo liderado por Katharina Six, do Instituto Max Planck de Meteorologia e publicado na revista Nature Climate Change trás conclusões que indiciam um aumento do aquecimento global potencialmente mais elevado do que o esperado. Tal facto deve-se, de acordo com o estudo, a uma alteração de comportamento de pequenos organismos presentes nos oceanos, o fitoplancton, que adaptando-se às novas condições ambientais, poderá agravar ainda mais o aumento das temperaturas.


Com o aumento de CO2 na atmosfera, parte desse gás irá ser dissolvido pelos oceanos, fazendo com que o PH diminua num processo denominado como acidificação oceánica. Este processo trás problemas ecológicos importantes, pois ao alterar o PH irá alterar as condições ambientais das espécies que ai vivem e dos ecossistemas que delas dependem. Na base de todos os problemas, está o plancton, minúsculos organismos que estão na base da cadeia alimentar aquática, e que já se previa uma diminuição da sua quantidade por conta da acidificação, fazendo diminuir a quantidade de peixes de toda a cadeia alimentar, por falta de alimento.


O estudo debruça-se não sobre os efeitos da sua diminuição, mas na capacidade de adaptação a um novo ambiente mais ácido. E neste capítulo, descobriram que quanto menor o ph das águas, ou seja, mais ácido, menor será a quantidade de um gás chamado dimetil sulfeto, ou DMS. Este gás, presente na atmosfera e cuja origem vem maioritáriamente do metabolismo de algumas algas, tem um importante factor, porque na atmosfera oxida-se e dá origem a ácido sulfúrico, que por sua vez tem tendência a formar minúsculas partículas de nome técnico aerossol, que, nas núvens, desempenham um papel importante a refeltir a luz do sol, fazendo com que a atmosfera terrestre não aqueça tanto. Apesar de o ácido sulfúrico ser conhecido como um poluente atmosférico, causador entre outros, das chamadas chuvas ácidas, em pequenas quantidades tem extrema importância, quantidades essas que a natureza tende a emitir, de forma sustentável e equilibrada.


Esta redução de emissões de DMS pode então, de acordo com o estudo, significar um aumento do factor entre energia recebida pela terra e a refletida para o espaço em cerca de 83% (0.4 W/m2). Adicionando estes valores aos modelos atmosféricos com duplicação de CO2, os cientistas apontam para acréscimo de temperatura entre 0.23 and 0.48 ºC aos resultados desses mesmos modelos, ou seja, esta diminuição, por sí só teria um impacto entre + 0.23 e +.48 ºC na subida de temperaturas.


Trata-se de mais um avanço na compreensão do fenómeno do aquecimento global, apesar de ser um estudo numa àrea ainda não muito aprofundada, os estudos que se seguirão irão certamente dar mais certezas, ou dúvidas, sobre a dinámica entre aquecimento global, oceanos e ecossistemas marinhos.



Estudo original e mais informações em http://www.nature.com/news/rising-ocean-acidity-will-exacerbate-global-warming-1.13602#/ref-link-4